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Superávit no 1º semestre de 2022

por Giuseppe Severgnini – Graduando em Ciências Econômicas da UFPB, bolsista e vice-coordenador, do Probex COMEX UFPB publicado 23/02/2023 20h53, última modificação 23/02/2023 20h54
Colaboradores: Profa. Márcia Paixão – Depto de Economia da UFPB (revisão)
Balança comercial brasileira fecha com superávit no 1º semestre de 2022

No primeiro semestre de 2022, a balança comercial do Brasil registrou um saldo maior que 34 bilhões de dólares. Segundo dados disponibilizados pelo Comex Stat, houve um aumento aproximado de 20% nas exportações (cerca de US$ 164,12 bilhões) e uma elevação de 31%, aproximadamente, nas importações (em torno de US$ 129,81 bilhões), em comparação com o mesmo período de 2021.

O superávit da balança comercial na primeira metade do ano nutre a expectativa de crescimento econômico do País em 2022 anunciada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Contudo, apesar do afrouxamento do isolamento social e do fim da pandemia do coronavírus, há ainda diversos desafios a serem enfrentados no atual cenário econômico, a exemplo da necessidade de investimento em infraestrutura (impacto direto na cadeia produtiva) e em tecnologia (diminuição da dependência externa).

Os cinco principais parceiros comerciais do Brasil no período foram: China, Estados Unidos, Argentina, Holanda e Espanha. Dando destaque ao primeiro, o gigante asiático, este teve uma participação de 28,7% como destino das exportações brasileiras, representando um valor FOB de 41,7 bilhões de dólares.

Dentre os produtos mais exportados, a soja predominou, com 19% de participação e valor FOB de 30,5 bilhões de dólares (variação de 23,7% em comparação com o mesmo período em 2021). Entre os demais principais produtos estão óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos e minério de ferro e seus concentrados (segundo e terceiro lugar, respectivamente).

Os produtos mais importados foram: adubos ou fertilizantes químicos (valor FOB de 12,8 bilhões de dólares e uma variação de nada menos que 180% em comparação com o mesmo período no ano anterior), óleos combustíveis de petróleo, e válvulas e tubos termiônicos.

Destaca-se que a elevação no valor das importações de adubos ou fertilizantes deve-se em grande parte ao conflito entre Rússia e Ucrânia. A Rússia é um dos principais parceiros comerciais do Brasil para fertilizantes químicos e as diversas sanções econômicas que o país está enfrentando impactam diretamente o mercado internacional desses produtos. Esse contexto torna a necessidade de importação um capítulo à parte, já que o Brasil e outros países precisam buscar novos parceiros para suprir a escassez de oferta de fertilizantes e outros produtos químicos.

Outros destaques referentes à balança comercial brasileira no primeiro semestre de 2022: nas exportações, o setor da agropecuária teve um crescimento próximo de 28% nas exportações e a indústria de transformação, de mais de 30%. A indústria extrativa, por sua vez, apresentou a maior variação no quadro de importações no período, cerca de 109%.

Diante do exposto, constata-se que o Brasil apresentou desempenho comercial muito positivo no primeiro semestre de 2022, um período em que grande parte da população brasileira já estava vacinada com pelo menos 2 doses contra a Covid-19, mas sofrendo os efeitos de um conflito sem precedentes entre Rússia e Ucrânia. E, como conclusão, pode-se dizer que o superávit anima as expectativas mais positivas para o ano, apesar do turbilhão de emoções no primeiro semestre.

 

Referências : Comex Stat, Ipea e Secretaria de Comércio Exterior.