Balança comercial do Brasil fecha com superávit no 1º semestre de 2022
No primeiro semestre de 2022, a balança comercial do Brasil registrou um saldo maior que 34 bilhões de dólares. Segundo dados disponibilizados pelo Comex Stat, houve um aumento aproximado de 20% nas exportações (cerca de US$ 164,12 bilhões) e uma elevação de 31%, aproximadamente, nas importações (em torno de US$ 129,81 bilhões), em comparação com o mesmo período de 2021.

O superávit da balança comercial na primeira metade do ano nutre a expectativa de crescimento econômico do País em 2022 anunciada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Contudo, apesar do afrouxamento do isolamento social e do fim da pandemia do coronavírus, há ainda diversos desafios a serem enfrentados no atual cenário econômico, a exemplo da necessidade de investimento em infraestrutura (impacto direto na cadeia produtiva) e em tecnologia (diminuição da dependência externa).
Os cinco principais parceiros comerciais do Brasil no período foram: China, Estados Unidos, Argentina, Holanda e Espanha. Dando destaque ao primeiro, o gigante asiático, este teve uma participação de 28,7% como destino das exportações brasileiras, representando um valor FOB de 41,7 bilhões de dólares.
Dentre os produtos mais exportados, a soja predominou, com 19% de participação e valor FOB de 30,5 bilhões de dólares (variação de 23,7% em comparação com o mesmo período em 2021). Entre os demais principais produtos estão óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos e minério de ferro e seus concentrados (segundo e terceiro lugar, respectivamente).
Os produtos mais importados foram: adubos ou fertilizantes químicos (valor FOB de 12,8 bilhões de dólares e uma variação de nada menos que 180% em comparação com o mesmo período no ano anterior), óleos combustíveis de petróleo, e válvulas e tubos termiônicos.
Destaca-se que a elevação no valor das importações de adubos ou fertilizantes deve-se em grande parte ao conflito entre Rússia e Ucrânia. A Rússia é um dos principais parceiros comerciais do Brasil para fertilizantes químicos e as diversas sanções econômicas que o país está enfrentando impactam diretamente o mercado internacional desses produtos. Esse contexto torna a necessidade de importação um capítulo à parte, já que o Brasil e outros países precisam buscar novos parceiros para suprir a escassez de oferta de fertilizantes e outros produtos químicos.
Outros destaques referentes à balança comercial brasileira no primeiro semestre de 2022: nas exportações, o setor da agropecuária teve um crescimento próximo de 28% nas exportações e a indústria de transformação, de mais de 30%. A indústria extrativa, por sua vez, apresentou a maior variação no quadro de importações no período, cerca de 109%.
Diante do exposto, constata-se que o Brasil apresentou desempenho comercial muito positivo no primeiro semestre de 2022, um período em que grande parte da população brasileira já estava vacinada com pelo menos 2 doses contra a Covid-19, mas sofrendo os efeitos de um conflito sem precedentes entre Rússia e Ucrânia. E, como conclusão, pode-se dizer que o superávit anima as expectativas mais positivas para o ano, apesar do turbilhão de emoções no primeiro semestre.
Referências Utilizadas
Fonte: Comex Stat. Datas de publicação: 01/08/2022. Leia em:
Comex Vis
Link: http://comexstat.mdic.gov.br/pt/comex-vis
Fonte: Ipea. Datas de publicação: 30/06/2022. Leia em:
Ipea prevê crescimento de 1,8% para o PIB em 2022
Link:https://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=39398&catid=3&Itemid=3
Fonte: Portal da Indústria. Datas de publicação: 2022. Leia em:
Os desafios da retomada da economia e do crescimento pós-pandemia
Link:https://www.portaldaindustria.com.br/industria-de-a-z/retomada-do-crescimento-pos-pandemia/#desafios
Fonte: Secretaria de Comércio Exterior. Datas de publicação: 01/08/2022. Leia em:
Balança Comercial Preliminar Mensal
Link:https://balanca.economia.gov.br/balanca/pg_principal_bc/principais_resultados.html
Revisão de texto: Esther de Lima Locatelli (voluntária extensionista) e Márcia Cristina Paixão (coordenadora e orientadora)