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A Pinacoteca da UFPB e outros Acervos Universitários

Dyógenes Chaves - 05.05.2008

Disponível em: http://www.agencia.ufpb.br/ver.php?pk_noticia=6152
publicado: 20/11/2015 14h15, última modificação: 07/07/2016 18h56

Os primeiros museus de belas artes foram criados no século XVIII, na Europa, e sua organização coube aos mecenas e monarcas que, "generosamente", democratizaram o acesso de certas classes sociais às suas coleções particulares. A Igreja, na época, também poderosa como patrocinadora das artes plásticas, passou a ostentar na sua decoração de interiores obras encomendadas a pintores geniais, como exemplo, a Capela Sistina pintada por Michelangelo. Hoje, estas igrejas são visitadas mais pelas obras de arte que pela fé. Na verdade, viraram museus de arte. Assim como algumas coleções particulares se transformaram em museus de propriedade do Estado.

Quando as universidades passaram a oferecer cursos de artes plásticas, foi inevitável que, com tantos artistas-professores e alunos envolvidos, não se colecionassem obras de arte no próprio ambiente de aulas e laboratórios. E, dada a desconfiança na capacidade de gerenciamento, guarda e manuseio de certas gestões estatais, alguns colecionadores viram nas universidades a possibilidade de que ali poderiam melhor guardar (e usar) suas coleções particulares. Assim aconteceu com o industrial Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo, e sua mulher, Yolanda Penteado, que, doaram sua coleção particular para formar o núcleo principal do antigo Museu de Arte Moderna, o MAM de São Paulo, criado em 1948, depois, transferido para o Museu de Arte Contemporânea da USP.

A partir dos anos 1970 as universidades se transformaram em verdadeiros laboratórios de artes. A Universidade de São Paulo-USP chegou a abrigar artistas plásticos que mantinham ateliê no próprio Campus fazendo uma verdadeira interação - a chamada interdisciplinaridade - com alunos e professores de outros departamentos. Aqui também tivemos uma experiência parecida nos tempos do Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB, entre 1979 e 1984. Aliás, a UFPB sempre teve boa relação com os artistas da cidade bem antes de pensar em formar um acervo de artes plásticas.

A Pinacoteca da UFPB foi criada em 1987, devido ao esforço de um grupo de professores, técnicos e artistas plásticos, com o propósito de preservar e intensificar a divulgação da nossa produção cultural, por meio da formação de acervo de artes visuais, banco de dados e pesquisa, além de atuar como veículo de promoção cultural e pedagógica, através de realizações de exposições, cursos, palestras, debates, seminários, sobre artes visuais, direcionadas não apenas aos membros da UFPB, mas também à comunidade paraibana.

A preocupação com a criação de um local que permitisse a formação de um acervo para documentar a evolução da produção cultural da Paraíba decorreu da verificação de que, em todo o Estado, apenas o Museu de Arte Assis Chateaubriand, de Campina Grande, iniciou as suas atividades com uma Coleção de Arte Brasileira, doada pelo mecenas Assis Chateaubriand.

A Universidade Federal da Paraíba já possuía um acervo de obras de artes valiosas, porém, encontrava-se disperso em vários setores, e em alguns casos, em locais inadequados. Essas obras foram então recolhidas, e as deliberações para o funcionamento sistemático da Pinacoteca foram tomadas. A ampliação do acervo tem se dado pela sistemática adotada de recolher por doação, um trabalho de cada artista que participe de exposição. Propostas de doações têm sido levadas também a outros artistas, com resultados positivos, atestando a confiança no papel da Universidade, na preservação da memória cultural do Estado.

Atualmente, o acervo da Pinacoteca da UFPB é composto de cerca 200 obras, entre gravuras, desenhos, pinturas e esculturas de significativa qualidade artística. A Pinacoteca funciona, desde sua regulamentação, em um espaço provisório no segundo pavimento da Biblioteca Central no Campus I da UFPB. É vontade da atual gestão da universidade, para breve, iniciar a construção de um Centro de Arte no Campus I, em João Pessoa. De acordo com técnicos da UFPB, será um prédio de três andares, um dos quais para abrigar a Pinacoteca. Esse novo espaço será dotado de condições adequadas para guardar e manter com segurança as obras do acervo para que a Pinacoteca funcione de maneira apropriada como um centro de exposição e um centro de estudo de artes.

E aí, talvez, com um espaço próprio, uma programação permanente e uma reserva técnica adequada, a UFPB poderia se dedicar também a restaurar, enquanto é tempo, algumas jóias raras da sua coleção e que importantes para a recente história da arte paraibana, casos das obras de Alice Vinagre, Marlene Almeida, Miguel dos Santos entre outras.