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Cachaças

por Mateus, Clóvis Gouveia da Silva publicado 21/06/2016 11h10, última modificação 05/07/2019 14h55
A cana-de-açúcar foi trazida para o Brasil originada do sul da Ásia, com o surgimento da colônia portuguesa e os primeiros núcleos de povoamento e agricultura na nova terra.

A origem da cachaça

 

Se pensarmos que a primeira destilação de cachaça foi feita por volta de 1532, podemos concluir que a história da cachaça está extremamente ligada com a história do Brasil

São várias as versões existentes sobre a origem da cachaça

De certa forma podemos dizer sua história começa quando os portugueses trouxeram da Ilha da Madeira a cana-de-açúcar e as técnicas de destilação. Uma das versões conta que o destilado teria surgido em Pernambuco quando um escravo, que trabalhava no engenho, deixou armazenada a “cagaça” – um caldo esverdeado e escuro que se forma durante a fervura do caldo da cana. O líquido fermentava naturalmente e, devido às mudanças de temperatura, ele evaporava e condensava, formando pequenos pingos de cachaça nos tetos do engenho. Inclusive, a origem do sinônimo “pinga” teria surgido dessa versão popular da origem do destilado – uma versão fantasiosa.

Outra versão apresentada pelo historiador Luís da Câmara Cascudo, no seu livro Prelúdio da Cachaça, aponta que a primeira cachaça foi destilada por volta de 1532 em São Vicente, onde surgiram os primeiros engenhos de açúcar no Brasil. Nessa versão de Cascudo, foram os portugueses, depois de aprenderem as técnicas de destilação com os árabes, que produziram os primeiros litros da bebida.

O fato é que a cachaça acompanhou a história do Brasil desde o seu início, passando pelo o ciclo do açúcar, pelo crescimento das fronteiras territoriais e chegando até a urbanização do país. Originalmente, a cachaça era destinada aos escravos mas logo caiu no gosto popular, se tornando um importante componente da emergente economia nacional e, por conseqüência, proliferando sua produção por todo o litoral do Brasil.

Levada pelos comerciantes, a bebida brasileira começou a fazer sucesso também na Europa e na África, onde era usada como moeda de troca para comprar escravos que iam trabalhar na lavoura colonial. Pela relevância econômica da cachaça em terras brasileiras, a venda e troca do produto representavam uma ameaça para a metrópole, já que ajudava a enriquecer os inimigos da Coroa, como os piratas holandeses que se estabeleceram no Nordeste. Nessa mesma época, Portugal produzia um destilado de uva chamado bagaceira, e o aumento da produção de cachaça fazia com que os colonos se desinteressassem cada vez mais em consumir a bebida portuguesa. Para inibir a produção da cachaça, Portugal estabeleceu um excessivo imposto cobrado dos fabricantes da aguardente, que insatisfeitos com a taxação, se rebelaram contra Portugal, marcando o episódio conhecido como Revolta da Cachaça, em 1660.

Depois dos séculos XVI e XVII, em que houve significativa multiplicação dos alambiques nos engenhos de São Paulo e Pernambuco, a cachaça se espalhou pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais devido à descoberta do ouro e pedras preciosas. Durante o século XVIII a economia do açúcar entra em decadência e passa então a ser substituída pela extração de ouro em Minas Gerais. No início da migração para Minas, as cachaças brancas (puras) eram colocadas em barris de madeira para serem transportadas até Minas Gerais. No tempo da viagem, a cachaça, pelo contato com a madeira, acabava amarelando e tomando aromas e sabores próprios. Há quem diga que daí que surgiu o hábito de envelhecer e armazenar cachaças em barris de madeira. Hoje, podemos observar que em cidades litorâneas, como Paraty, há um predomínio de produção de cachaças brancas, enquanto que em Minas Gerais, os produtores optam sempre por armazenar suas cachaças em barris para que elas adquiram características sensoriais, como cor e sabor, provenientes da madeira. Nas regiões de extração estavam também os pequenos alambiques que abasteciam a florescente população urbana que tentava enriquecer com a mineração, apesar dos impostos cobrados pela metrópole portuguesa.

Com a popularidade da cachaça e com o declínio do comércio da bagaceira, novas medidas de taxação e proibição da produção de cachaça foram implantadas pela Coroa. Essas medidas contribuíram para o descontentamento da colônia e motivaram os primeiros ideais independentes, dando origem a Conjuração Mineira e a morte de Tiradentes. Como símbolo dessa luta pela independência do país, a cachaça era servida nas reuniões conspiratórias dos Inconfidentes.

O preconceito e decadência da cachaça

A partir de 1850 com o declínio do trabalho escravo e a intensificação econômica do café, um novo setor social surge no Brasil, os Barões do Café. Com ideais elitistas, fugindo dos hábitos rurais e com uma identificação maior com os produtos e hábitos europeus, a nova elite brasileira rejeitava os produtos nacionais, como a cachaça, tida como coisa sem valor, destinada a pessoas pobres, incultas e, geralmente, negras.

A valorização da cachaça

Contra esse posicionamento discriminatório, surgem intelectuais, artistas e estudiosos com o compromisso de resgatar a brasilidade criticando com ironia e inteligência a incorporação da cultura e do costume estrangeiro. Em 1922, em São Paulo, é realizada a Semana de Arte Moderna, onde Mário de Andrade, um dos seus maiores expoentes, dedica um estudo chamado Os Eufemismos da Cachaça. No decorrer do século XX, outros importantes intelectuais como Luís da Câmera Cascudo, Gilberto Freire e Mário Souto Maior, estudaram a importância cultural, econômica e história para o Brasil.

Nas últimas décadas, importantes acontecimentos têm contribuído para a valorização da cachaça e seu reconhecimento como patrimônio nacional. Em 1996, o então presidente Fernando Henrique Cardoso legitima a cachaça como produto tipicamente brasileiro, estabelecendo critérios de fabricação e comercialização. Em 2012, uma lei transformou a cachaça em Patrimônio Histórico Cultural do estado do Rio de Janeiro.

Hoje, há mais de 4 mil alambiques espalhados por praticamente todos os estados brasileiros, conseqüência de um fenômeno único próprio do destilado nacional: embora a cultura da cana-de-açúcar tivesse se desenvolvido em grandes latifúndios, a cachaça sempre se caracterizou pela produção artesanal em pequenos alambiques familiares, o que ocasionou a enorme quantidade de marcas de cachaça espalhadas por todo o território brasileiro (FONTE: http://www.mapadacachaca.com.br/artigos/historia-da-cachaca/ em: 20/07/2017).

 

Apesar de a produção brasileira de aguardente de cana estar estimada entre 1,5 a 2,0 bilhões de litros/ano, as exportações brasileiras representam apenas 0,5 % do total produzido. O Brasil exportou em 1995, 2,8 milhões de litros passando em 99 para 3,7 milhões de litros anuais. Estima-se um faturamento de US$ 100 milhões com as exportações de aguardente em 2021, ou seja espera-se exportar 50 milhões de litros. As perspectivas de crescimento devido ao processo de globalização do mercado são ressaltadas pelo Programa Brasileiro de Desenvolvimento de Aguardente da Cana, Caninha ou Cachaça (PBDAC) cujas atividades até o momento estão basicamente restritas a iniciativas ligadas à propaganda e “marketing”. Paralelamente existe, por parte de segmento significativo dos produtores, em iniciativas isoladas, o interesse pelo melhoramento da qualidade dos seus produtos.

Definição

Padrões de Identidade e Qualidade

Os padrões de Identidade e Qualidade da aguardente de cana e cachaça deverão atender às disposições legais contidas na Instrução Normativa n. 13 de 26/06/2005, alterada pelas Instruções Normativas n. 58 de 19/12/2007, n. 27 de 15/05/2008 e n. 28 de 08/08/2014, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), conforme as seguintes definições:

O que é cachaça

De acordo com o arti. 53 do decreto nº 6.871/2009, cachaça é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de trinta e oito a quarenta e oito por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida pela destilação do mosto fermentado de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas por litro, expressos em sacarose.

a) Cachaça Adoçada Quando adicionada uma quantidade de açúcares superior a 6 g/L e inferior a 30 g/L.

b) Cachaça Envelhecida Contém no mínimo 50% de cachaça ou aguardente de cana, envelhecidas em recipiente de madeira apropriado, com a capacidade máxima de 700 L por um período não inferior a um ano.

c) Cachaça Premium Contém 100% de cachaça ou aguardente de cana, envelhecidas em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 L por um período não inferior a um ano.

d) Cachaça Extra Premium Contém 100% de cachaça ou aguardente de cana envelhecidas em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 L por um período não inferior a três anos.

e) As bebidas Premium e Extra Premium Poderão ter padronizadas a graduação alcoólica mediante a adição de destilado alcoólico simples de cana-de-açúcar ou de aguardente de cana ou de cachaça envelhecidas pelo o mesmo período da categoria ou de água potável (VENTURINI, 2016).

Dias e Almeida (2018), em seu trabalho Os segredos da cachaça, relatam que em aproximadamente 500 anos de história, a cachaça já foi chamada de muitas formas diferentes e citam que no livro Todos os nomes da cachaça como exemplo, do escritor Messias Cavalcante, no qual são revelados oito mil nomes e dois mil sinônimos, dentre eles: branquinha, pinga, caninha, malvada.

 

 

AS PRINCIPAIS CACHAÇAS PARAIBANAS

 

Cachaça Serra Limpa

Cachaça São Paulo

Serra Limpa

A cachaça Serra Limpa é produzida no Engenho Imaculada Conceição de propriedade do Sr. Antônio Inácio, localizado no município de Duas Estradas no Agreste Paraibano.

Graduação Alcoólica: 45%

Cachaça São Paulo.jpg

A cachaça São Paulo é produzida no Engenho São Paulo de propriedade do Sr.  Múcio Fernandes, localizado nas várzeas do Rio Paraíba, a 28 km de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba.

Cachaça Triunfo

Cachaça Jureminha

TriunfoO engenho Triunfo localizado no município de Areia-PB, na região do brejo, produz a Cachaça Triunfo que começou a ser produzida em 1994, quando Antônio Augusto recebeu por herança uma fazenda. Apesar de não ser filho de nenhum Senhor de Engenho nem ter os conhecimentos necessários para fabricar cachaça, ele tinha um sonho e muita, muita vontade de vencer. Vendeu a fazenda e comprou uma pequena moenda e um alambique, foram os primeiros passos. 

Cachaça jureminha.jpgA cachaça jureminha é produzida pelo engenho Serra da Jurema, localizado no município de Guarabira à margem esquerda da rodovia estadual PB-073, no sentido Guarabira/Pirpirituba. É administrado pelo proprietário Raimundo Paulino, produz e engarrafa as aguardentes Pinga do Norte e Jureminha.

 Cachaça Tambaba

Cachaça Volúpia

cachaça tambaba.jpgProduzida artesanalmente em alambiques de cobre, a cachaça Tambaba é produzida pelo engenho Tambaba e atende rígido controle de qualidade, desde o plantio da cana até o processo de engarrafamento.

Volúpia.jpgA cachaça volúpia existe de 1946, é produzida pelo engenho Lagoa verde, localizado no município de Alagoa Grande-PB.

Cachaça Bruxaxá

Cachaça Anel do Brejo

cachaça bruxaxa.JPGA cachaça Bruxaxá é produzida em alambique de cobre e o engenho produtor está localizado na zona rural do Município de Areia-PB.

Cachaça Anel do BrejoAs cachaças Anel do Brejo e Serra Preta, são produzidas pelo engenho Serra Preta, localizado no município de Alagoa Nova-PB.

Cachaça Maribondo

Cachaça D'dil

Maribondo.jpgA cachaça Maribondo é produzido pelo o Engenho Maribondo, localizado no município de Guarabira-PB.

D'dil.jpgA cachaça D'dil é produzida pelo o engenho Retiro de propriedade do Sr. Vaudilson e seus irmãos: Vaudergilson, Vaudemberg, Vamberto e Vauderlon, localizado no município de Belém- PB no Brejo paraibano.

Graduação Alcoólica: 42%

Cachaça Gregório

Cachaça Nobre

GregórioA cachaça Gregório é produzida pelo o Engenho Gregório de Baixo-PB. cachaça nobre.jpgA cachaça é produzida pelo Engenho Nobre na zona rural de  Sobrado- PB.
 

Cachaça Alegre

Cachaça Brandeira Branca

Cachaça Alegre A cachaça é produzida no Engenho Alegre de propriedade do Sr. Severino Ramos da Silva, localizado no município de Duas Estradas no Agreste Paraibano.

Graduação Alcoólica: 43%

Cachaça Bandeira Branca A cachaça Bandeira Branca é produzida pelo engenho Bandeira Branca de propriedade do Sr. Ariano Mário Fernandes Fonsêca, localizado no município Mamaguape-PB, no vale mamaguape.

Graduação Alcoólica: 42 %

Cachaça Baraúna

cachaça barauna.jpg A cachaça Baraúna é produzida pelo Engenho Baraúna do proprietário do Sr. José Rodrigues, localizado no município de Alhandra-PB, no litoral paraibano.

Graduação Alcoólica: 42 %