Notícias
Matraca de procissão
Matraca de Procissão s. f. É um idiofone feito uma prancha com dois batedores em formato de chave ”[ ]“ ou da letra “U” fixados um em cada lado. A prancha ao ser agitada seus batedores consequentemente batem contra a madeira o que produz um som explosivo, estridente e estalado. Herança portuguesa, está presente originalmente nas procissões das igrejas católicas durante a semana santa.
Segundo critério científico (ver MONTAGU 2011, p. 2) poderíamos classificá-la como 1.1.2.1.2.3. por se tratar de um idiofone (1) percutido (1.1) indiretamente (1.1.2.) agitado (1.1.2.1) montado sobre um suporte, emoldurado (1.1.2.1.2) contra quais dois batedores se chocam, através da rotação do antebraço, numa placa em forma de prancha (1.1.2.1.2.3.).
A presença nas manifestações religiosas católicas caracteriza sua origem portuguesa. Mário de Andrade (1989) nos conta que “o som da matraca entre nós está ligada a uma sensação sinistra. Era muito usada [...] nas festa lutuárias de sexta-feira Santa, dentro e fora das igrejas e procissões” É na Semana Santa que ao silenciar dos sinos na quinta-feira, que as matracas surgem junto a cantos e cantorias. Felipe Aquino complementa sobre a origem desse costume:
A tradição de não tocar os sinos das e nas igrejas durante a Semana Santa surgiu no século VII. A Igreja proibiu tocar os sinos, em sinal de luto, entre a Quinta-feira Santa e o Domingo de Páscoa. Nos ofícios e liturgias, mesmo os sininhos são substituídos (ou deveriam ser) por uma matraca. Nas procissões e encenações externas às igrejas ocorre o mesmo [...]. Em outros lugares, os sinos perdem até os seus badalos, cuidadosamente retirados e guardados para o dia da ressurreição. (AQUINO, 2016).
Segundo Tadeu Morais (2017), o som da matraca representa e demarca esse momento de ruptura. Com seu timbre estalado, agudo e explosivo, explora sonoramente representar a penitência, sofrimento e dor infligida na crucificação de Messias. É “uma forma de expor sua dor” sonoramente. Intercalados entre os toques das matracas, os cantos e cantorias trazem um tom de lamentação anunciando a morte de Cristo.
Referências
TAFFARELLO, Tadeu Moraes. Sonoridades de uma Procissão do Enterro reescritas por Silvio Ferraz em Itinerário da Passagem: Verônica Nadir. Opus, v. 23, n. 1, p. 92-103, abr. 2017
AQUINO, Felipe. Por que o silêncio dos sinos e o ruído das matracas. 2016.Disponível em: <https://cleofas.com.br/por-que-o-silencio-dos-sinos-e-o-ruido-das-matracas/>. Acesso em: 06/12/2021.