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Educação e sustentabilidade

Coleta seletiva gerando oportunidades
publicado: 25/06/2018 17h39, última modificação: 22/08/2018 10h43

Educação e sustentabilidade

Tudo começou com uma inspiração. Ao saber de uma ação voluntária com uma cooperativa de catadores/coletores de resíduos sólidos que estava sendo desenvolvida pela comunidade religiosa da qual faz parte, Carina Gabriela, docente do Departamento de Engenharia de Materiais (DEM) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), teve a ideia de proporcionar aos moradores das comunidades que têm a reciclagem como sua única fonte de renda, conhecimentos básicos sobre sustentabilidade, cuidados com o meio ambiente e desenvolvimento socioeconômico.

O resultado dessa inspiração, foi a criação do “Universidade em ação: programa de coleta seletiva e sustentabilidade ambiental”, projeto coordenado por ela, em parceria com a Cooperativa de catadores de Marcos Moura (COOREMM), na cidade de Santa Rita, na Paraíba.

A proposta é promover uma troca de conhecimentos dentro da comunidade, compartilhar ideias que visem o desenvolvimento econômico, como a elaboração de sabão através de óleo residual de cozinha e a comercialização de objetos feitos a partir de garrafas pets, papelão, latas de alumínio e papéis.

O projeto é desenvolvido por alunos dos cursos tanto das engenharias, quanto das Ciências Humanas e Sociais da UFPB. A professora Carina disse que ficou surpresa e feliz com o número de estudantes que procuraram o Universidade em Ação e se envolveram nas atividades. “Se você observar bem, verá que só há um estudante recebendo bolsa. Os outros fazem parte porque realmente se interessam pela proposta. E a proposta é uma construção de conhecimento considerando os aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais, em atendimento às demandas da sociedade”, relatou a Carina. 

Além do desenvolvimento econômico, o social também é prioridade do projeto, já que a forma como essas pessoas são vistas pela sociedade ainda é muito provida de preconceitos e estereótipos, o que afeta diretamente a autoestima deles, aumentando cada vez mais o abismo da desigualdade no qual estão inseridos.

Estudantes conhecendo a Cooperativa - Imagem cedida pela equipe  (2018)

Nos dias de visita ao local, o grupo desenvolve ações como: palestras sobre as formas corretas de descarte dos resíduos, a importância da Educação Ambiental para o desenvolvimento da comunidade e como a coleta seletiva tem transformado a vida de muitas pessoas que veem nela uma atitude fundamental para a  prática da cidadania e da sustentabilidade.

 De acordo com Francisco, membro da Cooperativa, o projeto vem proporcionando a inclusão social de uma categoria de pessoas excluídas da sociedade: os catadores. “Além dessa conquista, que estamos alcançando aos poucos, também lutamos em favor do meio ambiente. Juntos, estamos conseguindo sensibilizar os moradores da região a respeito do descarte correto dos materiais que eles não utilizam mais e mostrar a importância que o nosso trabalho tem”, contou o cooperado.

Outra atividade realizada na Cooperativa é a Oficina de Produção de Sabão. Nela, os alunos auxiliam os cooperados na elaboração de sabão artesanal a partir de óleos de cozinha que são doados por cantinas, casas e restaurantes do bairro de Marcos Moura. A ideia é oferecer aos catadores uma forma de aumentar a renda de uma forma prática e sustentável, além de proporcionar aos estudantes experiências e conhecimentos que servirão de suporte para futuros projetos na área ambiental.

Para Jefferson de Luna, discente do curso de Engenharia de Produção e bolsista do projeto, a parceria entre estudantes e catadores é uma chance de desenvolver tudo o que foi aprendido ao longo das aulas. “Nós vimos a situação em que os membros da cooperativa estavam. Quando nos foi dada a oportunidade de tentar mudá-la, a aproveitamos e estamos na luta, pois acreditamos no nosso trabalho. O bom é que podemos partir para a ação”, disse o estudante.

Na visão de Victor Carlos, aluno de Engenharia Ambiental e voluntário do “Universidade em Ação”, o dinamismo do projeto vem do empenho dos estudantes para cumprir as metas estabelecidas nas reuniões de planejamento. “Eu sou de engenharia, mas trabalho juntamente com estudantes de Serviço Social, Direito e Gestão Ambiental. Isso deixa o trabalho mais bacana e aumenta a vontade de estar envolvido. O resultado das nossas dedicações está no desenvolvimento dos membros da Cooperativa ”, concluiu Victor.

A produção artesanal é uma das principais atividades desenvolvidas entre os cooperados da COOREMM. O valor de uma garrafa pet torna-se notório quando se observa quantos objetos utilizados no dia a dia, como vassouras, podem ser elaborados pelos membros do local. A contribuição dos extensionistas está nos direcionamentos que promovem o aumento da renda, a expansão do mercado artesanal, e a mudança na forma como os “catadores” são vistos.

Nesse projeto, o que mais chama atenção é o comprometimento do grupo na busca por meios para possibilitar melhores condições de vida para essa parcela da sociedade que ainda enfrenta muitas dificuldades. São futuros engenheiros, gestores ambientais e servidores públicos na luta pela igualdade, por direitos básicos, que não são garantidos aos catadores.

 * Reportagem de Raian Lucas - Discente voluntário da PRAC (2018)

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