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Educação Emocional

PROBEX 2018

Educação além das práticas pedagógicas
publicado: 24/08/2018 16h50, última modificação: 17/12/2018 17h28

 

Projeto de Extensão mostra que educação vai além das práticas pedagógicas 

  

Como reflexo de uma sociedade que valoriza os conhecimentos técnicos e científicos, as escolas incentivam aprovações em vestibulares, competitividade e têm deixado de lado o desenvolvimento integral do ser humano. Essa postura pode prejudicar os processos de aprendizagem, uma vez que somos seres emotivos e não apenas cognitivos. Essa situação se agrava ainda mais quando se trata de estudantes com deficiência, pois o ambiente escolar raramente está preparado para atender as necessidades desses alunos. 

Com intuito de demonstrar que educação emocional é uma ferramenta poderosa para gerar inclusão no ambiente escolar, surgiu o projeto de extensão Educação Emocional: um caminho para o empoderamento de jovens com deficiência da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), vinculado ao Centro de Educação (CE).

Para a coordenadora do projeto, Taisa Dantas, as emoções são colocadas totalmente à margem. "As pessoas que possuem individualidades como deficiência são alvos de preconceito e de discriminação. Com isso, a inclusão delas é prejudicada, porque não há uma sensibilização no ambiente escolar, não há um olhar empático sobre o outro", disse.  

O projeto leva dinâmicas que estimulam o contato saudável com as emoções para a Escola Estadual de Educação Especial Ana Paula Ribeiro Barbosa Lira, localizada na Fundação Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiência (FUNAD), na capital paraibana. O objetivo é contribuir com a inclusão dos alunos com deficiência, além de gerar produção cientifica sobre a temática. 

Dinâmica de reconhecimento de emoções - Imagem: Gleyce Marques (2018)

Partilhando as emoções

Após realizar estudos para entender melhor como as emoções podem afetar as relações mantidas no ambiente escolar, a equipe passou a visitar duas vezes por semana a FUNAD, introduzindo dinâmicas e uma ferramenta de pesquisa chamada "diário das emoções", que ajuda a mapear quais são as emoções que precisam ser trabalhadas nos alunos. Para melhor interação com os jovens, a equipe fez adaptações para tornar a ferramenta mais lúdica.

Os resultados são processados e servem de base para a etapa seguinte da ação, na qual são realizadas oficinas e palestras para ajudar os estudantes a relacionar-se de modo equilibrado com as emoções."Medo, raiva, tristeza, alegria, cada dia é uma emoção. No dia da raiva a gente pergunta quais as situações que fazem com que eles sintam raiva. E para eles entenderem o que é essa emoção, mostramos ilustrações de situações que podem gerar raiva. Então eles vão respondendo, a gente vai gravando e fazemos algumas dinâmicas relacionadas à raiva. O intuito dessa atividade é descobrir quais emoções devem ser primordialmente trabalhadas", contou a coordenadora. 

A aluna de Pedagogia e bolsista do projeto, Flávia Rabelo, contou que para sua formação acadêmica o projeto foi essencial pois possibilitou uma nova perspectiva do que é a prática de lecionar.  "Aprendi a enxergar o ser humano de uma forma mais completa, além do perceptível aos olhos ". 

Professora de uma das turmas atendidas pelo projeto, Maria Suely relatou perceber uma mudança expressiva em alguns alunos e citou Rafaela como exemplo. “A Rafa não interage, não gosta que ninguém toque nela, mas nas oficinas ela se esforça para comunicar-se, não se nega a fazer as atividades, abraça todos”, contou a professora. Debora Maria, mãe de Rafaela, também enxerga mudanças no comportamento da filha. “A interação dela com os colegas de classe apresenta uma melhora significativa” disse.  

Como declaram as estudantes de pedagogia Stephanny Dantas e Fátima Marinho, voluntárias na ação, é preciso integrar o componente emocional ao processo de ensino, pois as vivências do ambiente escolar ajudam a construir uma socialização saudável entre os indivíduos.

Possibilitar conhecimentos de matemática, português e de outras disciplinas escolares é essencial para o desenvolvimento intelectual das crianças, mas o ato de ensinar não precisa se restringir a isso. Atentar para as individualidades e necessidades, essência da ação, é um importante para a inclusão no ambiente escolar. E é valorizando o autoconhecimento que a equipe atua para promover empoderamento dos jovens com deficiência.


Para conhecer mais sobre o projeto, visite o Facebook do Núcleo de Educação Emocional (NEEMOC): https://pt-br.facebook.com/Neemoc/ 
 


*Reportagem de Gleyce Marques - Bolsista PRAC (2018)




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